Você está em pé e, de repente, parece que o chão fez uma pequena mudança de planos.

A cabeça fica leve. O corpo estranho. Vem aquela sensação de desequilíbrio e, quase imediatamente, outra pergunta:

“Isso é ansiedade ou tem alguma coisa errada comigo?”

A resposta responsável é menos charmosa do que um diagnóstico em três linhas: ansiedade pode vir acompanhada de tontura, mas tontura tem muitas causas possíveis.

Então não é uma boa ideia olhar para qualquer tontura e carimbar “emocional” só porque você também anda ansiosa.

Como ansiedade pode entrar nessa história

Ansiedade pode provocar sintomas físicos, incluindo sensação de cabeça leve ou tontura. Em algumas pessoas, um dos caminhos é a hiperventilação: a respiração fica rápida ou profunda demais e há eliminação excessiva de dióxido de carbono.

Essa alteração pode provocar tontura, sensação de falta de ar, palpitações, formigamento e dificuldade de concentração.

E existe uma pegadinha desagradável: sentir tontura assusta. O susto pode aumentar a ansiedade. A ansiedade pode acelerar ainda mais a respiração. E o sintoma que assustou você ganha combustível.

É praticamente um grupo de WhatsApp em que cada participante piora a mensagem da anterior.

Mas “eu estava ansiosa” não exclui outras causas

Tontura também pode estar relacionada, entre outras possibilidades, a desidratação, queda de pressão, alterações do ouvido interno, enxaqueca, anemia, baixa de açúcar no sangue, efeitos de medicamentos e outros problemas de saúde.

Por isso, o contexto importa.

É algo novo? Está voltando? Você chegou a desmaiar? Existem alterações de visão, audição ou fala? Fraqueza ou dormência? Mudança importante no pulso? Dor de cabeça diferente ou intensa?

Tontura persistente, recorrente ou acompanhada de outros sintomas merece avaliação de um profissional de saúde. Sintomas neurológicos importantes, desmaio ou um quadro súbito e intenso exigem atenção urgente.

Quando o exame está bem, mas o medo do sintoma continua

Existe ainda outra camada.

Depois de passar por uma sensação corporal assustadora, você pode começar a vigiar o corpo.

“Estou ficando tonta?”

“Minha respiração está normal?”

“E se acontecer de novo aqui?”

A partir daí, não estamos olhando apenas para a tontura. Estamos olhando também para o significado que ela ganhou.

Seu corpo passou a representar perigo? Perder equilíbrio ou controle é especialmente ameaçador para você? Houve um episódio marcante que transformou determinada sensação física em sinal de alerta?

Investigar essa história pode ser importante sem negar a parte médica. Uma coisa não precisa expulsar a outra da sala.

O que fazer enquanto a tontura acontece

Primeiro, segurança: sente-se ou deite-se se houver risco de cair. Levante devagar quando a sensação passar e evite dirigir, subir em escadas ou fazer algo perigoso enquanto estiver tonta.

Se você reconhece que está respirando rápido por ansiedade ou pânico, desacelerar a respiração pode ajudar. O objetivo não é puxar enormes quantidades de ar — o famoso “respira fundo!” dito em modo desespero pode virar justamente mais respiração do que você precisa — mas respirar de maneira lenta e confortável.

E se você não sabe por que está tonta, principalmente se for a primeira vez ou se o episódio for diferente do habitual, não tente fechar o diagnóstico sozinha no meio do susto.

Se sintomas físicos fazem sua cabeça imediatamente criar cenários, leia Por que sua cabeça sofre por coisas que ainda nem aconteceram?.

O ponto mais importante não é escolher entre “físico” e “emocional”

Seu corpo não vem dividido em dois departamentos que se recusam a conversar.

Ansiedade pode produzir sintomas físicos reais. E sintomas físicos reais também podem ter causas que precisam ser investigadas.

Então, diante da tontura, a pergunta mais útil não é “isso está só na minha cabeça?”.

É:

“o que está acontecendo comigo — e o que precisa ser considerado para eu não reduzir meu corpo a uma explicação pronta?”

Seu corpo merece curiosidade.

Não um carimbo.


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Kelly Campos Muradás

Sou redatora e terapeuta integrativa, apaixonada por transformar caos mental em palavras que acolhem. Falo sobre autocuidado realista para quem vive com ansiedade, hiperatividade ou TDAH e o cansaço de tentar dar conta de tudo — sem romantizar, sem exigir perfeição. Aqui, você encontra leveza possível, dias bons o bastante e caminhos gentis pra se reencontrar. Aqui, você não precisa ser forte o tempo todo. Só precisa ser você, do jeito que dá.

1 comentário

Crise de ansiedade ou pânico: o que fazer quando o corpo dispara o alarme - Tô Surtando · setembro 17, 2026 às 5:53 pm

[…] E se um dos sintomas que mais assusta você é a tontura, continue em Ansiedade pode dar tontura? Sim — mas nem toda tontura é ansiedade. […]

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