O coração acelera.
O ar parece curto.
As mãos podem formigar, a cabeça fica estranha e aparece aquela sensação horrível de que alguma coisa muito ruim está acontecendo.
Nessa hora, você não precisa de uma palestra sobre pensamento positivo.
Precisa saber duas coisas: o que pode ajudar agora e quando não é seguro presumir que seja “só ansiedade”.
Primeiro: não tente diagnosticar tudo no meio do susto
Uma crise de pânico pode provocar sintomas físicos intensos: coração disparado, tremor, suor, falta de ar, tontura, formigamento, náusea, dor no peito e medo de perder o controle ou morrer.
O problema é que alguns desses sintomas também podem aparecer em outras condições.
Por isso, se é a primeira vez, se os sintomas são diferentes do que você já conhece, muito intensos, persistentes ou fazem você suspeitar de uma emergência médica, procure atendimento. Dor no peito e falta de ar, por exemplo, não devem ser automaticamente atribuídas à ansiedade.
Segurança primeiro. A investigação emocional pode esperar alguns minutos sem ficar ofendida.
Se você reconhece a crise e está em segurança, reduza a missão
Durante uma crise, sua tarefa não é descobrir a origem da sua ansiedade, reorganizar sua vida nem finalmente compreender 1997.
Sua tarefa é atravessar os próximos minutos.
Se puder, permaneça em um lugar seguro. Diminua estímulos ao redor. Apoie os pés no chão ou o corpo numa superfície estável.
Olhe para alguma coisa concreta.
A cadeira.
A parede.
A textura da roupa.
Não porque a cadeira possui poderes terapêuticos secretos. Ela só tem uma vantagem importante sobre a catástrofe que sua cabeça está projetando: ela está aqui.
Não transforme a respiração em mais uma prova que você precisa passar
Respirar mais devagar pode ajudar algumas pessoas durante uma crise. Mas você não precisa acertar uma contagem perfeita, prender o ar por sete segundos ou entrar em pânico porque “não conseguiu respirar direito”.
Se for confortável, deixe a respiração desacelerar gradualmente e evite puxar grandes quantidades de ar de forma rápida e repetida.
O objetivo não é desligar o corpo num botão.
É diminuir a disputa com as sensações enquanto elas passam.
O medo da sensação pode alimentar a própria sensação
O coração acelera.
Você percebe.
“Meu Deus, o que está acontecendo?”
O medo aumenta.
O coração parece ainda mais evidente.
E a cabeça conclui que tinha razão em entrar em pânico.
Quando você já conhece esse padrão e foi adequadamente avaliada, pode ajudar lembrar: “eu reconheço essas sensações; não preciso resolver todas elas neste segundo.”
Isso é bem diferente de afirmar cegamente “não há perigo” sem saber o que está acontecendo.
Depois que a onda baixar, aí sim a pergunta muda
Passada a urgência, existe algo importante para investigar.
Crises de pânico podem ocorrer de forma inesperada, inclusive sem um gatilho claro. Portanto, não é correto decretar que toda crise nasceu de “emoções engolidas”, sobrecarga ou de um conflito específico.
Mas isso não impede olhar para a sua história.
Quando começou?
O que estava acontecendo naquele período?
Existe alguma situação, sensação corporal, ambiente ou percepção que aparece com frequência?
O que você passou a evitar com medo de sentir aquilo outra vez?
Em um trabalho terapêutico, a linha do tempo pode ser ampliada para investigar experiências e padrões anteriores, inclusive muito precoces, quando isso fizer sentido para aquela história. Isso é investigação de contexto e significado — não uma fórmula que determina automaticamente a causa da crise.
Ter uma crise não é o mesmo que ter transtorno do pânico
Uma pessoa pode ter uma crise de pânico isolada. O transtorno do pânico envolve ataques recorrentes e inesperados acompanhados, entre outros critérios clínicos, por preocupação persistente com novas crises ou mudanças de comportamento por medo delas.
Se as crises estão se repetindo, fazendo você evitar lugares ou situações, alterando sua rotina ou provocando medo constante da próxima crise, procure avaliação profissional. Existem tratamentos estabelecidos para transtorno do pânico.
Se sua ansiedade aparece mais como pensamento constante e antecipação, leia Por que sua cabeça sofre por coisas que ainda nem aconteceram?.
E se um dos sintomas que mais assusta você é a tontura, continue em Ansiedade pode dar tontura? Sim — mas nem toda tontura é ansiedade.
Se acontecer de novo
Não precisa abrir o Google, fazer diagnóstico diferencial, resolver sua infância e dominar uma técnica respiratória olímpica ao mesmo tempo.
Primeiro confira segurança.
Depois reduza o mundo aos próximos minutos.
E, quando o corpo sair do centro do furacão, procure entender o padrão com a profundidade que ele merece.
Porque uma crise pode ser assustadora pra caramba.
Mas susto não precisa virar explicação apressada.
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