A Mulher Que Transformou a Hora de Dormir em Seu Maior Campo de Batalha

Existem mulheres que têm medo de avião.

Outras têm medo de altura.

Algumas têm medo de ficar sozinhas.

Mas este arquivo fala sobre uma mulher que tinha medo de algo muito mais comum.

Ela tinha medo de dormir.

Não do sono.

Não dos sonhos.

Não da escuridão.

Ela tinha medo do que acontecia nos minutos que antecediam tudo isso.

Durante o dia, ela funcionava.

Respondia mensagens.

Cumpria tarefas.

Resolvia problemas.

Ocupava espaços.

Mas quando a casa silenciava…

Algo curioso acontecia.

As distrações desapareciam.

E os pensamentos começavam a chegar.

Primeiro um.

Depois outro.

Depois dez.

Depois cinquenta.

Ela se lembrava de uma conversa.

De uma conta.

De uma responsabilidade.

De um problema que ainda nem existia.

De uma possibilidade remota.

De um cenário improvável.

De uma preocupação que talvez jamais se tornasse real.

E mesmo assim…

Seu corpo reagia.

Como se tudo estivesse acontecendo naquele exato instante.

Enquanto o mundo desacelerava, ela acelerava.

Enquanto todos desligavam, ela permanecia ligada.

Como uma sentinela que acredita que precisa vigiar algo importante.

O mais curioso?

Ela não percebia que essa vigilância já havia se tornado automática.

Não era uma escolha consciente.

Era um hábito antigo.

Tão antigo que parecia fazer parte de quem ela era.

Com o passar do tempo, ela começou a acreditar que o problema era o sono.

Comprou travesseiros.

Mudou horários.

Tentou técnicas.

Buscou soluções.

Mas talvez a questão nunca tenha sido adormecer.

Talvez a verdadeira pergunta fosse outra.

O que exatamente sua mente acredita que acontecerá se ela finalmente baixar a guarda?

Porque algumas mulheres não estão lutando contra a falta de sono.

Estão lutando contra a sensação de que precisam permanecer alertas.

Mesmo quando não existe perigo visível.

Mesmo quando o dia acabou.

Mesmo quando já fizeram mais do que podiam.

E talvez seja justamente por isso que acordam cansadas.

Não porque passaram a noite dormindo pouco.

Mas porque passaram tempo demais tentando sustentar um estado de prontidão que já deveria ter terminado.

Há registros de mulheres que carregam essa vigilância desde muito cedo.

Antes mesmo de perceberem.

Antes mesmo de compreenderem.

Antes mesmo de encontrarem palavras para explicar.

E quando algo nos acompanha por tanto tempo, existe um risco silencioso.

Passamos a acreditar que aquilo somos nós.

Quando, na verdade, pode ser apenas uma história antiga ainda procurando um desfecho.


📂 Registro encerrado.

Mas algumas histórias costumam reaparecer justamente quando acreditamos que já foram esquecidas.


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Kelly Campos Muradás

Sou redatora e terapeuta integrativa, apaixonada por transformar caos mental em palavras que acolhem. Falo sobre autocuidado realista para quem vive com ansiedade, hiperatividade ou TDAH e o cansaço de tentar dar conta de tudo — sem romantizar, sem exigir perfeição. Aqui, você encontra leveza possível, dias bons o bastante e caminhos gentis pra se reencontrar. Aqui, você não precisa ser forte o tempo todo. Só precisa ser você, do jeito que dá.

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