Ela Discutia com Pessoas que Nem Sabiam Que Estavam em uma Discussão

Este arquivo chegou à Sociedade acompanhado de uma observação curiosa.

Ninguém sabia.

Ninguém percebia.

E, ainda assim, ela passava horas discutindo.

Às vezes era uma conversa do trabalho.

Às vezes uma mensagem que ainda nem havia sido enviada.

Às vezes uma crítica que talvez jamais acontecesse.

Mas dentro da mente dela…

Tudo já estava acontecendo.

Ela preparava respostas.

Montava argumentos.

Antecipava explicações.

Corrigia mal-entendidos que ainda não existiam.

Defendia versões futuras de si mesma.

E fazia tudo isso com uma dedicação impressionante.

O mais intrigante?

Muitas dessas conversas jamais saíam da própria cabeça.

Nunca aconteciam.

Nunca eram necessárias.

Nunca chegavam a existir fora daquele palco silencioso.

Mas seu corpo não parecia perceber a diferença.

Seu coração acelerava.

Sua atenção era sequestrada.

Sua energia desaparecia.

E, ao final do dia, ela estava exausta.

Não pelas conversas que teve.

Mas pelas centenas que imaginou.

Existe algo curioso sobre a mente humana.

Quando acreditamos que precisamos nos proteger, começamos a ensaiar.

Ensaiamos rejeições.

Ensaiamos fracassos.

Ensaiamos constrangimentos.

Ensaiamos perdas.

Como se a preparação pudesse impedir a dor.

Como se prever fosse uma forma de controlar.

Como se sofrer antes pudesse evitar sofrer depois.

Mas raramente funciona assim.

Porque cada conversa imaginária deixa uma pequena marca.

E poucas pessoas percebem o quanto é cansativo viver respondendo perguntas que ninguém fez.

Talvez por isso algumas mulheres se sintam tão exaustas ao final do dia.

Não porque fizeram demais.

Mas porque carregaram discussões suficientes para ocupar uma vida inteira.


📂 Registro encerrado.

Certos diálogos nunca aconteceram. Ainda assim, deixaram marcas reais.


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Kelly Campos Muradás

Sou redatora e terapeuta integrativa, apaixonada por transformar caos mental em palavras que acolhem. Falo sobre autocuidado realista para quem vive com ansiedade, hiperatividade ou TDAH e o cansaço de tentar dar conta de tudo — sem romantizar, sem exigir perfeição. Aqui, você encontra leveza possível, dias bons o bastante e caminhos gentis pra se reencontrar. Aqui, você não precisa ser forte o tempo todo. Só precisa ser você, do jeito que dá.

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